Cirurgia de miopia a laser passa a ser ofertada sem custos pelo Hospital

Tecnologia emprega o laser, livra o paciente do uso dos óculos e lentes de contato; pacientes são encaminhados exclusivamente por meio das unidades básicas de saúde. Tema já repercute inclusive na mídia nacional.

Veja nos links:

Revista Exame

Jornal Metro

O Hospital de Olhos do Paraná acaba de lançar um programa destinado a oferecer, gratuitamente, cirurgias de miopia. Poucas pessoas têm acesso ao procedimento no país, pelo seu elevado custo e porque ele não é ofertado pelo SUS. A triagem dos potenciais candidatos é feita única e exclusivamente por intermédio de unidades básicas de saúde, que arcam também com o custeio de exames complementares.

Bruna Fernanda Constantino de Araújo (de Curitiba) e Cleonice Portela (de Piên), foram as duas primeiras pacientes beneficiadas pelo programa. Ambas relataram que já vinham sofrendo com dificuldades para enxergar para longe, por serem portadoras de miopia. Precisaram, antes candidatarem-se ao procedimento nas unidades respectivas básicas de referência dos seus domicílios e, depois, realizarem uma série de exames e avaliações clínicas. Cada uma delas já realizou a cirurgia nos dois olhos nesta quarta-feira (29).

Cada um dos procedimentos, de elevada precisão, empregando a tecnologia do Excimer Laser, demorou aproximadamente 10 minutos. A equipe teve como responsável o Dr. Luiz Eduardo Osowski, coordenador da ação.

O único incômodo que as duas pacientes perceberam foi uma ardência decorrente da aplicação de colírio anestésico tópico. Em poucos dias, elas voltarão a enxergar para longe como nos tempos em que não precisavam usar óculos ou lentes.

O oftalmologista Hamilton Moreira, diretor geral do Hospital de Olhos do Paraná, afirma que o programa é uma das vertentes de um instituto que leva o nome do Hospital, também voltado ao ensino e à pesquisa. Terá capacidade de atendimentos limitada, por se tratar de ação isolada, como parte de um compromisso social do centro médico. A princípio serão realizadas seis consultas semanais e, por mês, duas cirurgias.

O médico explica que os potenciais candidatos à cirurgia refrativa, a exemplo de Bruna e Cleonice, deverão preencher uma série de quesitos, dentro de um protocolo estritamente clínico. Um deles é ter mais de 21 anos e grau estabilizado. Em princípio, durante uma fase de testes, a iniciativa será realizada até o mês de novembro.

O oftalmologista Luiz Eduardo Osowski lembra que grande parte dos candidatos à cirurgia refrativa pertence à faixa etária a partir dos 21 anos. São pessoas na fase mais produtiva da vida e, a independência dos óculos ou lentes de contato lhes proporcionará, em longo prazo, expressiva economia que teriam a cada troca.

Números

Nos próximos quatro anos a miopia afetará mais de 30% da população, configurando-se como uma epidemia. Os seus principais vilões são o uso excessivo dos smartphones e dos computadores, acrescenta. Estudos realizados pela Academia Americana de Oftalmologia apontam para um cenário ainda mais pessimista até o ano 2050. Pelos mesmos motivos, estima-se que mais de 50% da população apresentem dificuldades para enxergar a distância.