Falta de informação pode levar portadores de ceratocone a desistir do tratamento

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Durante as Olimpíadas de Inverno de Sochi (Rússia) tomamos conhecimento de inúmeras histórias de superação entre os atletas dos esportes “abaixo de zero”. Uma delas é a do americano Steven Holcomb, piloto de bobsled, aquele trenó que desce a montanha gelada a mais de 130km/h.

Holcomb teve confirmado o diagnóstico de ceratocone, uma doença degenerativa que deixa a curvatura da córnea em formato cônico e causa distorções na visão, podendo levar à cegueira. Por alguns anos ele usou lentes de contato que apenas minimizavam a deficiência, mas não corrigiam o dano causado pela doença.

Em 2007, enxergando apenas vultos, recebeu o veredito: só uma cirurgia evitaria que perdesse a visão. O atleta se submeteu a um implante de lentes de intraoculare e, graças à elas e com o acompanhamento ao oftalmologista, recuperou 100% da visão. “Brigar” contra a doença não faz mais parte da vida de Holcomb. Nos Jogos de Inverno seu objetivo é lutar pelo pódio e por medalhas.

Falta de informação

A falta de esclarecimento sobre o ceratocone em determinados casos tem proporções tão sérias que pessoas com a doença desistem de procurar ajuda médica. Elas perdem as esperanças no tratamento por acharem que ficarão cegas, embora a doença possa ter boa correção óptica em todas as suas fases.

Para combater esta desinformação, o Hospital de Olhos criou recentemente uma unidade integrada destinada a esclarecer e a mostrar que, para cada um paciente com ceratocone existe uma forma de tratamento que permitirá o controle da doença.

O drama resultante da desinformação transformou a preocupação da oftalmologista Luciane Moreira, do Hospital de Olhos, em Tese de Doutorado defendida na Escola Paulista de Medicina da USP. O objetivo foi avaliar os componentes psicossociais relacionados à doença. “É importante o médico não relacionar ceratocone à cegueira na hora da consulta e, já nesta primeira conversa, tranquilizá-lo de que existem diferentes e eficazes formas de tratamento”, esclarece a médica.

Tratamento

Nas fases iniciais do ceratocone os óculos são uma ótima opção de tratamento. Em geral, o paciente não apresenta maiores dificuldades visuais. Quando os óculos já não resolvem mais o problema, o paciente é tratado com lentes de contato. As lentes gelatinosas propiciam adaptação perfeita para boa parte dos casos, embora outros pacientes adaptem-se melhor com as lentes rígidas.

Nos casos em que o paciente já não se adapta a nenhum tipo de lente, existe a opção de implante com os anéis de Ferrara – tipo de procedimento do qual o Hospital de Olhos do Paraná se tornou referência internacional. Uma técnica recente, o Corneal Cross-Linking, destina-se a evitar a progressão da doença em todos os seus estágios. Finalmente, quando nenhuma técnica permite o controle do ceratocone, o transplante propicia a cura com grandes chances de sucesso.