Abril é o mês de falar sobre a cegueira; HOPR alerta para a incidência do Glaucoma

Abril, no Paraná, é mês de orientar a população sobre as várias causas de cegueira. Foi instituído oficialmente pelo governo do Estado como ‘Abril Marrom’, a partir de projeto de Lei que tem como coautores os deputados estaduais Dr. Batista e José Carlos Schiavinato. A ideia partiu do Hospital de Olhos do Paraná, por considerar que é importante desenvolver ações destinadas a prevenir e, se possível, evitar as principais causas de cegueira. Destaque para o Glaucoma, principal causa da cegueira irreversível no mundo.

As primeiras atividades por ocasião do ‘Abril Marrom’ no Paraná estão programadas para o dia 09 de abril, a partir das 14h, na Assembleia Legislativa. Três médicos foram escolhidos pelo Hospital de Olhos para serem homenageados por sua dedicação na promoção da saúde ocular. São eles: Dr. Cadri Massuda, presidente da Clinipam; Dr. Gilton Ângelo Guilgen, vice-presidente da Clinipam; e Dr. José Haggi Sobrinho, oftalmologista formado pelo Hospital de Olhos e responsável por uma unidade de atendimento ao SUS no Estado. Todos receberão a comenda “Instituto Professor Moreira”. Durante os demais dias de abril está programado extenso cronograma de atividades educativas sob a coordenação do centro oftalmológico, envolvendo o seu corpo clínico, colaboradores e a sociedade.

Glaucoma
Com duas unidades de atendimento exclusivo ao SUS, o Hospital de Olhos do Paraná é um dos principais parceiros do sistema público no atendimento a pacientes com glaucoma. Somente em 2017, foram realizadas mais de 10 mil consultas e, graças aos projetos desenvolvidos na rede, quase 8 mil colírios foram dispensados de forma gratuita para o tratamento desses pacientes.

Há cerca de dois anos, o Hospital criou o Instituto de Glaucoma, um dos poucos do país destinado a prestar atendimento integral e personalizado aos pacientes portadores dessa doença. Em apenas um ano, o Instituto realizou perto de cinco mil consultas.

Dispõe de profissionais de renome e equipamentos avançados de diagnóstico e tratamento, tais como o SLT – traduzido do inglês “Trabeculoplastia Seletiva a Laser”, aparelho que realiza um procedimento a Laser, com o objetivo de reduzir a pressão intraocular e melhorar o controle da doença, possibilitando em alguns casos a substituição do uso de colírios; e também o OCT – Tomografia de Coerência Óptica, exame que auxilia no diagnóstico mais precoce e no acompanhamento do ​Glaucoma.

Médicos do Hospital de Olhos informam que o Glaucoma surge quando o nervo óptico (uma espécie de “fio​”​ com mais de um milhão de fibras), começa a apresentar danos. A informação deixa de percorrer de forma correta o trajeto entre o olho e o cérebro. De maneira gradual, lenta e imperceptível, surgem “pontos cegos”, que só serão percebidos depois de um dano considerável. Quando todo o nervo é destruído, ocorre a cegueira. Estatísticas apontam para um total de um milhão de vítimas da doença no país. Estima-se que 70% dos portadores não estejam em tratamento.

Outras formas de cegueira
O Dr. Hamilton Moreira, oftalmologista do Hospital de Olhos do Paraná e idealizador do ‘Abril Marrom’, informa que a cegueira atinge, atualmente, cerca de 1,2 milhão de pessoas no Brasil. A boa notícia, segundo ele, é que 60% das doenças oculares que causam cegueiras são tratáveis. Em qualquer caso, acrescenta, é importante que a população esteja bem informada. Que procure um médico oftalmologista caso apresente histórico na família ou perceba qualquer alteração visual.

Diabéticos, crianças, adultos acima de 40 anos e idosos acima de 60 anos devem receber ainda maior atenção aos cuidados com a visão. Ter informações a respeito das doenças que podem levar à cegueira é o primeiro passo para a população adotar medidas preventivas. Dentre as doenças que podem levar à cegueira, algumas são bastante frequentes no cotidiano da população, porém negligenciadas devido à falta de conhecimento sobre as suas consequências em longo prazo.

Catarata
Doença caracterizada pela perda de transparência (opacidade) do cristalino (lente localizada atrás da íris), a catarata pode ser classificada como secundária ou senil. A catarata secundária pode estar relacionada a inúmeros fatores, tanto oculares quanto problemas sistêmicos; a catarata senil ocorre devido ao envelhecimento natural do cristalino. Estima-se que 85% das cataratas são classificadas como senis, com maior acometimento na população acima de 50 anos.

Por se tratar de uma doença progressiva, somente a facectomia, cirurgia de substituição do cristalino, gera resultados efetivos e definitivos para a recuperação da visão. Ao notar qualquer sinal de embaçamento na visão, dificuldade para dirigir à noite por conta do brilho dos faróis, visão com feixes de luz e sensação de melhora da visão ao aproximar os objetos, com piora logo em seguida, é necessário buscar ajuda do oftalmologista, adverte o Dr. Hamilton Moreira.

Retinopatia Diabética
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença atinge mais de 15 milhões de brasileiros. Se não for tratada corretamente, pode interferir diretamente na função dos vasos sanguíneos que levam sangue e oxigênio para as células da retina, desencadeando a Retinopatia Diabética, com evolução para a cegueira.

A Retinopatia Diabética é, no seu início, uma doença assintomática. Porém, em estágio avançado, surgem alterações visuais súbitas e indolores. Para não ter de chegar a este estágio, é importante que os portadores de diabetes visitem regularmente o oftalmologista para realizar o mapeamento de retina, além de manter o diabetes sob controle.

O tratamento da Retinopatia Diabética, junto com o controle do diabetes, impede a sua evolução, tornando o diagnóstico precoce fundamental para impedir a perda de visão. São empregados medicamentos ou procedimentos cirúrgicos.